Comunidade de leitores – adultos e teens
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bibliotecas públicas, banda desenhada, fanzines, direito de autor e acesso à informação
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Pensei inicialmente em sugeri-lo para um clube de leitura teen mas, após a leitura, arrepiei caminho. É melhor deixá-lo sossegado junto à restante banda desenhada, na sala de lazer dos adultos. Em traços muito gerais trata-se de uma interessante história ao género policial em que famoso Cavaleiro das Trevas veste o papel de detective na investigação da morte de uma rapariga e no seu decurso vai revivendo repetidamente o grande trauma de infância – a morte dos seus pais.
Colegas bibliotecários! Bibliotecas Públicas Cool! Colegas desesperados com o desinteresse pela leitura entre os adolescentes da vossa comunidade. Indigentes em geral!... Os vossos problemas com a AQUISIÇÃO DE MANGÁ EM PORTUGUÊS terminaram. A partir de agora existe uma lojinha muito especial, no Mercado de Santa Clara (junto ao Panteão Nacional) em plena Feira da Ladra que vende edições brasileiras de banda desenhada e de mangá. Mandem um mail ao Wagner Dias e peçam para fazer uma listagem cheia de “Narutos, Bleachs e Full Metal Alchimists”. O sucesso com a leitura vai ser de tal maneira demolidor que até o Presidente da Câmara vai ficar de boca aberta... e as vossas promoções serão, obviamente, imediatas.
Ilustração de Jillian Tamaki
TURNER, James – Rex Libris: I librarian. SLG, 2007. ISBN: 978-1593620622. Uma banda desenhada que nos conta as aventuras de um super herói bibliotecário.
BATTLES, Matthew – Library: un unquiet History. W.W. Norton, 2004. ISBN: 978-0393325645. Uma espécie de livro negro da História das Bibliotecas, protagonizada por Guerreiros Hititas, Romanos, Vândalos, Hunos, Vikings, Cruzados Cristãos, Muçulmanos, Nazis, Super Dragões e outros fundamentalistas bárbaros que não tinham grande consideração pela placa na Biblioteca que indicava «SILÊNCIO».
Ilustração de Taeeun Yoo
É um daqueles livros que não resisti à compra mas, com sinceridade, não gostei. O livro é uma biografia. Contudo, é uma biografia de uma distinta presencia do séc. XX condensada num colorido álbum de poucas páginas. Para além do mais os diálogos apresentam-se monótonos, forçados e a narrativa contém inúmeros saltos no tempo que obrigam o leitor a conhecer a vida do “el comandante”, a priori, para entender o livro, tornando assim paradoxalmente inútil a sua leitura. Trata-se, na minha opinião de um daqueles livros que ajudam a construir preconceitos ou falsas e opiniões de que a BD é inferior à literatura ou simples à prosa escrita. Não ajuda “à causa” e francamente devia, com o mesmo dinheiro, ter comprado o livro do Gipi ou do Dave Mckean, também editados pela Vitamina BD. Devem, porém, as Bibliotecas Públicas adquirir este livro? Penso que devem! As colecções das Bibliotecas Públicas têm de ser diversificadas, revestir um carácter enciclopédico e ser isentas de censura. Devem permitir o acesso a diferentes pontos de vista, correntes de opinião, níveis diversos de abordagem e… Manifesto da Unesco… bla, bla, bla…
Da secção infanto juveil da Biblioteca Municipal de Szloti…
Do balcão de empréstimos da sala de atendimento geral da Biblioteca Municipal de Sczout…
Da sala de leitura da Biblioteca Municipal de Dbrnouk…
Cartoon de Gerhard Haderer

EXTRA! EXTRA! READ ALL ABOUT IT!... A magnífica e assombrosa edição de hoje do Jornal de Letras é especialmente dedicada aos 20 anos da Rede de Leitura Pública. Gloriosos artigos sobre as melhores e mais dinâmicas bibliotecas públicas nacionais. Serviços de excelência muito justamente referenciados ou dilatadamente apresentados. Felicitações a todos e um barbaric yawp ao Henrique Barreto Nunes, à Maria José Moura, à Póvoa do Varzim, Matosinhos, Espinho, Ílhavo, Seixal, Oeiras, Vila da Feira, Sobral do Monte Agraço, regiões autónomas da Madeira e dos Açores, Évora, Beja, Porto, Braga, Guimarães, Trancoso, Alfandega da Fé, Figueiró dos Vinhos, às magníficas bibliotecas do Algarve, Alentejo, Trás-os-Montes e a todos os protagonistas ou simples figurantes nestes 20 anos de «Revolução Silenciosa» (NUNES, 2008).



Uma leitura cativante. Começamos a ler e só paramos no fim. A sorte é que tratando-se de uma BD ao fim de uma hora a leitura está consumada. Eis o primeiro álbum ao estilo francês (capa dura e grande formato) de Rui Lacas que nos conta a história de uma senhora idosa e solitária, provavelmente nos anos 70/80 lá para os lados da Zambujeira do Mar, que todos os dias pede ao “seu patrão”uma moeda em nome da sua defunta filha. Um dia uma menina pergunta à senhora quem é a sua filha e a narrativa faz um “flash back” ao passado para contar a história da filha, Anita, uma adolescente bonita e inteligente que vive com a sua mãe no campo. O pai faleceu e as duas vivem na propriedade do “patrão” por especial favor. Até ao dia em que o “Patrão” diz que está na hora da Anita começar a trabalhar e deixar a escola… Aqui entramos na parte mais intensa da narrativa que culmina com uma surpreendente vendetta poética digna de Hollywood.